Raízen deverá protocolar pedido de IPO nos próximos dias

Lucro líquido da empresa atribuível a acionistas totalizou R$ 1,5 bilhão no ano-safra 2020/21

Raízen informou na noite desta segunda-feira (31), que tem a intenção de protocolar perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), nos próximos dias, registro de oferta pública de distribuição de ações preferenciais (IPO, na sigla em inglês) no segmento de listagem “Nível 2” da B3.

Para isso, a empresa optou por descontinuar as suas projeções financeiras (guidance) visando alinhar sua política de divulgação de projeções com os procedimentos adotados por seus auditores independentes e demais consultores durante o processo para realização do IPO da Raízen Combustíveis. 

A quantidade de ações a serem alienadas no âmbito da oferta e o preço de venda das ações, ainda serão fixados pelo Conselho de Administração da companhia.

A empresa divulgou também seus resultados referentes ao quarto trimestre do ano-safra 2020/21 (4T’21) encerrado em 31 de março de 2021. A moagem da companhia na safra 2020/21 somou 61,5 milhões de toneladas (+3%) de cana moída com produção recorde de 8,3 milhões de toneladas de açúcar equivalente (7%) e mix 52% voltado para o açúcar.

A maior produtividade agrícola do período (10,2 kg ATR/ha, +6%) foi consequência dos investimentos que vêm sendo realizados para maximização do TCH dos canaviais e também do maior ATR, fruto do clima mais seco. De acordo com a companhia, a melhor produtividade levou a uma maior disponibilidade de produtos para vendas.

Os investimentos do ano-safra 2020/21 somaram R$ 2,9 bilhões (+3%) crescimento explicado pelo plano de melhorias operacionais, pela inflação e aumento da taxa de câmbio no período.

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Destaque nos resultados foi para o negócio de açúcar

“Estes elementos foram parcialmente compensados pela contínua captura de eficiência nos nossos processos. Ainda refletindo os ganhos de eficiência já alcançados, nosso custo caixa unitário (ex-CONSECANA) para a safra 2020/21 encolheu 3% em comparação ao período anterior, evidenciando o resultado da jornada de eficiência da companhia”, afirma a Raízen.

Assim, o EBITDA ajustado da companhia totalizou R$ 2,1 bilhões no 4T’21 e R$ 6,6 bilhões no ano-safra, redução de 8% e 4%, respectivamente. O lucro líquido atribuível a acionistas controladores foi positivo em R$ 623 milhões no trimestre e totalizou R$ 1,5 bilhão no ano-safra.

O destaque foi para o negócio de açúcar, que alcançou receita líquida de R$ 3,4 bilhões no 4T’21 (+49%), beneficiada pela captura de preços médios 38% superiores, além do maior volume. Na safra 2020/21, o volume de vendas registrou crescimento (+88%). O preço médio de açúcar atingiu R$ 1.549/ton (+30%), resultado da estratégia de hedge da companhia, capturando melhores preços. A receita líquida do alimento totalizou R$ 11,4 bilhões no exercício, mais que duas vezes acima da receita registrada na safra 2019/20.

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Venda de etanol cresceu 28% na safra 2020/21

Quanto ao volume de vendas de etanol registrou queda de 16% no 4T’21 e cresceu 28% no período, em função dos preços mais atrativos para o biocombustível, que atingiram R$ 2.830/m³ (+23%).

A receita líquida de etanol totalizou R$ 3,7 bilhões no trimestre (+3%). Na safra, o volume total vendido de etanol foi 11% inferior, puxado pela redução de volumes de terceiros (-24%) e parcialmente compensado pela expansão (+5%) no volume próprio. A receita líquida de etanol na safra 2020/21 foi de R$ 12,4 bilhões (+8%) com o menor volume de vendas total sendo compensado pelo aumento dos preços.

O destaque do período foi o volume vendido de diesel (+14%), impulsionado pela forte demanda do setor agrícola e novos clientes B2B. Já o consumo de ciclo Otto da Raízen caiu 3%, em razão das medidas mais restritivas de isolamento social.

Já o volume comercializado de energia elétrica atingiu R$ 495 milhões no 4T’21 e na safra, a receita líquida totalizou R$ 2,1 bilhões (-45%), em função do menor volume com preços médios de venda inferiores (R$ 114/MWh, -21%).

 

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