Produção de açúcar cai 3,254 milhões de toneladas na safra 21/22

Queda na produção de cana é a causa

A Archer Consulting estima que a produção de cana na safra 21/22 no Centro-Sul tenha uma redução de 4.35%, em relação ao ciclo 20/21, totalizando 574.5 milhões de toneladas de cana.

A previsão feita anteriormente pela consultoria era de uma queda de 3,75%, com produção de 578 milhões de toneladas. A quebra na produção é devida ao clima seco que afetou o desenvolvimento dos canaviais.

De acordo com a Archer, a produção de açúcar deverá ser de 35,056 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 3,254 milhões em relação à safra anterior. Já a produção de etanol prevista é de 24,735 bilhões de litros a partir da cana e mais 3,2 bilhões de litros a partir do milho, ou seja, 2,06 bilhões de litros abaixo da produção do ciclo passado.

As estimativas de que a quebra na produção de cana seja maior do que se previra anteriormente, além de um ATR aquém do esperado, tem sido motivo de preocupação para o setor. Isso se deve por que, com o Centro-Sul praticamente fixado para a temporada atual, algumas usinas temem não ter cana de qualidade suficiente para atender a demanda de ATR que seus compromissos assumidos em volumes de açúcar exigem.

Para Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, a redução esperada na produção pode ter menor impacto, pois vai coincidir com um consumo menor. “Podemos estar redondamente enganados, mas é difícil ver uma recuperação no Brasil tão animadora quanto os números de outros países. Com lockdown continuado, a redução de consumo de gasolina, a estagnação na venda de veículos novos e a menor mobilidade que vai continuar ainda por muito tempo, levam-nos a crer que vai sobrar produto”, disse o consultor.

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Para Corrêa, outros fatos podem atrapalhar o suporte de preços do açúcar como a possível interferência na Petrobras. “Não é difícil vislumbrar que a paridade de preços internacionais – praticada pela Petrobras desde que Pedro Parente assumiu a estatal – está sempre a um fio”, lembrou.

O consultor ressalta que, depois de ver que num mercado invertido, como foi o do açúcar no início do ano, o recebedor do físico na expiração do contrato de março ainda tem navios a nomear, é difícil permanecer construtivo.

“Os fundos sustentaram o mercado de alta além do razoável em termos de fundamentos, os spreads enfraqueceram refletindo o sentimento dos operadores do físico e o petróleo se esforça bravamente para se manter acima dos 60 dólares por tonelada. A própria Agência Americana de Energia estima que o preço médio do petróleo WTI para este ano é de 57 dólares por barril e 54.75 dólares por barril para 2022”, conclui.

 

 

 

 

 

 

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