Para especialistas a safra 2022/23 será de “folhas e falhas”

A volta das chuvas e maior estabilidade climática podem garantir preços melhores que o da safra passada

Herança de uma safra anterior marcada por grande seca, incêndios pós geadas, atraso na colheita, preços dos insumos em alta, disparada do petróleo, somada às incertezas climáticas, deram o tom nas análises de especialistas quanto às perspectivas da safra 2022/23.

Tema da Quarta Estratégica do JornalCana, o webinar contou com a participação de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG e CANAPLAN, Rogério Bremm, diretor agrícola da BP Bunge Bioenergia e Tarcilo Rodrigues, presidente da Bioagência.

Com patrocínio das empresas AxiAgro, HRC e S-PAA, o webinar contou com a condução do jornalista e diretor da ProCana, Josias Messias.

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“Duas realidades que compõem a safra: uma safra de folhas e falhas. Tem muito mais folha do que cana, mas com muitas falhas”, ilustrou com imagens Caio Carvalho, que atribuiu essa situação como resultado da herança de duas safras secas, também marcadas por grande quantidade de incêndios após as intensas geadas.

“Como resultado teremos um canavial bastante atrasado”, apontou Carvalho lembrando que comparada com outros indicadores a safra 2021/22 foi marcada por um grande recuo, em termos comparativos, se constituindo numa safra muito complicada.

Caio ressalta, porém, que a boa quantidade de chuva que caiu no mês de janeiro, pode alterar a questão da produtividade em relação à cana atrasada gerando algumas dúvidas por esse fator. “Vamos precisar fazer o replantio em escala grande, mas temos o problema da falta de muda. Temos que olhar a competição com grãos. E o casamento com milho deve ser total”, destacou.

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Para o presidente da Canaplan, em relação ao mercado, “o Petróleo está a nosso favor”. Para a definição da política de preços dos combustíveis, o ano eleitoral deve trazer alguns impactos. Ele faz um alerta contra o risco do populismo. Caio lembrou que o preço mundial do etanol, seja no Brasil, nos EUA, ou na Europa, passou por um período de pico, e posteriormente os preços deram uma arrefecida. Ao comparar janeiro de 2020 com janeiro de 2021, ele explica que houve uma queda na demanda.

Para a produção do canavial na safra 2022/23 ele prevê um cenário entre 540 e 550 toneladas, “não me atrevo a falar mais do que isso. A safra deve atrasar sim. Acredito que na média começamos em abril, talvez algumas usinas nem arrisquem no final de março”.

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Ele aponta, que para superar esse atraso, o investimento deve ser direcionado no desenvolvimento da cana. “Vamos rezar para que tenhamos chuvas que completem o canavial até a chegada do inverno e para termos uma primavera com tempo favorável. Em termos financeiros, apesar das eleições trazerem uma certa sombra, a tendência é imaginar preços bons. Devemos começar a safra com preços bons e devemos continuar assim e acredito que os preços devam ser melhores que os da safra 2020/21” aponta com certo otimismo.

Preço dos combustíveis

Caio Carvalho

Tarcilo Rodrigues, presidente da Bioagência, através de uma análise do movimento das estradas pedagiadas, apresentou um cenário do que aconteceu com os combustíveis na safra 2021/22. “Tivemos uma depressão e uma euforia, e agora uma estabilidade. O motivo é simples, o combustível está caro, para os padrões brasileiros. Oferta pequena de etanol, aumento da demanda, igual a pico de preço. Os combustíveis devem seguir o tamanho do PIB”, ressaltou.

Rodrigues explica que a definição do preço do etanol está atrelada a definição do preço do petróleo. Ele estima que teremos um superávit na safra 2022/23. Segundo em relação aos preços, o galão de gasolina a U$ 2,62 para o americano está dentro da lógica dos EUA.

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“Já para nós, o que muda, além do preço do petróleo e da gasolina, é que temos ainda temos a variação do câmbio. A gente já começa 2022 num patamar mais elevado, trazendo pressão para a Petrobrás. Vide o número de PECs falando em redução de combustível”, afirmou.

Segundo ele, a Petrobrás está devendo 0,42 centavos por litro da gasolina. E as projeções indicam uma elevação nos preços do petróleo, estimado numa média de 80 dólares o barril em 2022.

Para Rodrigues existe uma demanda de combustível, reprimida desde 2014, que já dura 7 anos, indo para o oitavo. A projeção é que os preços da gasolina na bomba fiquem em na média de R$ 6,58/l e o etanol R$ 4,74.

Investir em tecnologia

Tarcilo Rodrigues

O presidente da Bioagência lembra que o petróleo mais caro, puxa preço de etanol e pode puxar o preço do açúcar. Ele entende que soluções populistas trazem um rombo fiscal, e a conta será paga lá na frente. “O mercado de açúcar conjugado com o câmbio permitiu boas fixações. Mas a cautela ainda impera, pois não se tem certeza do tamanho do canavial”, explica.

Rogério Bremm, diretor agrícola da BP Bunge Bioenergia, destacou que a safra 2021/22 foi muito desafiadora por conta da pandemia. “A criação de protocolos, afastamentos dificultaram, mas conseguimos manter as operações, fizemos parceria e doações às comunidades onde atuamos”, comentou.

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Com relação aos problemas oriundos dos efeitos climáticos, Bremm destacou que a distribuição geográfica das 11 unidades da usina, localizadas em cinco estados, contribui para diluir os impactos da seca, pois os climas são muito diferentes.

Ele comentou também que o aumento dos custos de produção vai exigir medidas visando sua redução, e melhorias na performance para aumentar a produtividade.

“A safra 2022/23 será de recuperação do canavial. Teremos situações diferentes por região em relação ao clima. Acreditamos em termos de produção numa safra melhor neste ano”, alegou.

Entre as ações adotadas, ele destacou o investimento na renovação do canavial e irrigação com foco para salvar a cana e evitar perdas. “Também investimos em tecnologias voltadas para aprofundamento das raízes, mudança para produtos biológicos, controle de pragas e doenças, gestão de frotas, investir em conectividade rural”, contou.

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Rogério Bremm

Bremm também lembrou das ações de prevenção de incêndios, cuidados com as pessoas e foco na detecção dos incêndios. Com isso, conseguiram reduzir em 80% a área queimada no Tocantins, através desse trabalho de detecção.

“Para viabilizar a redução de custos, estamos buscando produtos substitutos. Investir no plantio, tecnologia, em busca de sinergias para melhorar a nossa operação e também na redução de custos. Acreditamos que devemos ter mais cana para essa safra. Somos muito dependentes do clima e uma das nossas estratégias é tornarmos menos dependentes através de investimentos em irrigação”.

Ele vê como positiva a vinda de produtores de grãos para a produção de cana.   “Enriqueceu o setor. O casamento da cana com outras culturas – (soja, crotalária, milho)”, afirmou.

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Para cumprir os desafios do mercado de carbono para elevar a produtividade, Bremm destacou que o foco das ações está voltado para o enchimento das plantas, busca de sinergias operacionais, otimizando as estruturas, investimento em tecnologia e irrigação para os próximos 5 anos.

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