O setor sucroenergético e o dólar

Por Gerson Ferreira, diretor administrativo financeiro da Usina Diana

Nos últimos tempos, temos visto e ouvido, cada vez mais, falarem sobre fixação de preço de açúcar em reais, mesmo se tratando de açúcar para exportação. Cada vez mais, nos deparamos com ofertas e precificação em reais para exportações. Essa prática, dizem alguns experts, é uma forma de proteger as receitas.

Neste contexto pelo menos parte das usinas tem fixado “protegido” a sua receita de exportação em reais.
Antes de qualquer análise, vale afirmar que nenhuma empresa exportadora deve abrir mão da sua performance como exportador direto, mantendo o seu recebimento em dólar.

Fazer venda equiparada à exportação, somente em caso extremo, por absoluta necessidade ou falta de estrutura, conhecimento e, ainda assim, somente pelo tempo necessário para que se consiga estruturar como exportador direto.
Uma das principais condições de sucesso empresarial é o acesso aos financiamentos internacionais e suas taxas de juros. É isto que diferencia uma empresa multinacional das empresas domésticas. Ser exportador é condição básica para acessar estes financiamentos.

Os investidores do mundo vem investir seus recursos no Brasil, que tem uma das maiores taxas de juros do planeta, somos nós que pagamos estes juros e uma forma de amenizar esse custo é ter acesso aos juros Internacionais.

Para operar o mercado de US$ com competência, é preciso ter muito conhecimento e estudar diariamente para entender os intrincados agentes que atuam sobre ele. Este mercado não admite apostas e adivinhações, precisamos apenas nos proteger com os ativos e passivos equilibrados, mantendo um saldo positivo de ativos em US$. Algo em torno de 30% da receita? Depende de cada caso.

É, sim, preciso ter a proteção para os momentos de stress e aproveitar a valorização da moeda, mas não podemos perder de vista que o mundo, nas crises, corre para o dólar e é justamente ele que devemos ter no nosso bote salva vidas.

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