Ministério da Agricultura admite risco de possível falta de defensivos agrícolas

Uma das estratégias do governo é antecipar pedidos de registro de novos fornecedores junto a Anvisa

O Ministério da Agricultura não descarta a possibilidade da falta de defensivos agrícolas para as safras futuras. Segundo o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas, Carlos Goulart, uma das estratégias do governo é antecipar pedidos de registro de novos fornecedores na Anvisa.

LEIA MAIS > A eletrificação veio para ficar, mas com a ajuda do etanol

De acordo com Goulart, não há perspectiva de carência de fertilizantes para a safra de verão, mas existe risco para as próximas safras, informa a “Agência Câmara”. Ele explicou que existem problemas ligados à melhora dos números da pandemia de covid-19 e o aumento global de consumo de energia, problemas políticos com grandes produtores como a Bielorrússia, e até o alagamento de minas de potássio no Canadá. O Brasil importa 85% do trio potássio, nitrogênio e fósforo, usados na composição dos fertilizantes denominados NPK.

Ajuda da China

 No caso dos defensivos, além da aceleração de registros, o governo pretende conversar com as autoridades chinesas para que o país priorize as remessas de glifosato para o Brasil. Isso porque o Brasil precisa deste insumo para ter produtos agrícolas para exportar para a China. Por esse motivo, Carlos Goulart afirma que está em negociação uma cooperação técnica entre China e Brasil para a redução da nossa dependência em fertilizantes:

“A China tem interesse de que não falte também insumos para o Brasil porque é uma cadeia interdependente. Ela produz insumos que são trazidos para o Brasil e que são convertidos em produção agrícola. Isso é revertido para o Brasil, gerando excedente grande. Excedente que é majoritariamente destinado a própria China”.

LEIA MAIS > Políticas que impactam a alta do preço dos combustíveis

O deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), autor do requerimento para a audiência, sugeriu que a comissão acompanhe de perto a negociação com a China:

“No curto prazo já é difícil. E se errarmos, o médio e o longo também não vão acontecer. Isso não é de agora. O Brasil tem uma característica. Não somos um país proativo, somos reativos. A gente corre atrás quando a coisa já está caindo. E a pandemia apurou uma série de processos que todos relataram aqui”, disse.

Segundo o que Reginaldo Minaré, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara na última sexta-feira (22), a falta de defensivos e de fertilizantes é inédita em 25 anos e deve perdurar. Para ele, é preciso estimular a produção de fertilizantes orgânicos baseados em excrementos de porco e até de algas.

LEIA MAIS > https://jornalcana.com.br/brasil-precisa-retomar-sua-posicao-de-lideranca-na-agenda-ambiental-global/

A diretora do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, Eliane Kay, disse que a situação de crise tende a continuar porque a China, maior produtora de fósforo amarelo, base de vários defensivos, se comprometeu a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Esse compromisso levou a metas de redução de consumo de energia em algumas regiões de até 90%.

CNAdefensivos agrícolasMapasafra