Japão pretende importar 1,8 bi de litros de álcool

O Japão poderá importar 500 milhões de litros de álcool do Brasil no curto prazo, tão logo entre em vigor legislação japonesa aprovada recentemente, que permite, numa fase de testes, a mistura de 3% de biocombustível à gasolina. A informação é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). A legislação permite a elevação gradual do percentual até o limite de 10%. O estoque de passagem entre as safras é estimado em 400 milhões de litros. Quando sair da fase de testes e a adição de 3% (não obrigatório) for efetivada, os japoneses importarão 1,8 bilhão de litros por ano. A União da Indústria Canavieira (Única) estima a produção no Brasil em 14 bilhões de litros de álcool na safra atual. A entidade fala em investir em plantio, estocagem, armazenamento e transporte. Para discutir investimentos para ampliação de plantio, instalação de destilarias e melhoria da infra-estrutura para exportação, representantes do banco japonês de fomento JBIC estiveram com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Roberto Rodrigues, em julho. As negociações continuam.

O próprio Ministro Roberto Rodrigues disse que o Brasil só terá condições de vender álcool para o Japão, sem comprometer o mercado interno, se aumentar a área plantada com cana-de-açúcar. De acordo com ele, é que, para fazer mais álcool, a produção de açúcar pode ser reduzida que acarretaria queda nas exportações, o que também não é interessante para o setor sucroalcooleiro. A capacidade instalada no Brasil para produção de álcool é de 16 bilhões de litros. A capacidade supera a produção atual, de 13,5 bilhões de litros, considerando os números do Centro-Sul e do Nordeste. Mas o problema é que não há cana em volume suficiente para atender à exportação de açúcar e novas demandas por álcool.

Com a mistura de 3%, a demanda do Japão será por 1,8 bilhão de litros de álcool por ano. O consumo anual de gasolina no Japão é de 60 bilhões de litros. Para atender à demanda dos japoneses, Rodrigues sugeriu investimento na produção de cana-de-açúcar em regiões não tradicionais, como o Centro-Oeste, Minas Gerais e Bahia. Calcula-se que um hectare de cana produz sete mil litros de álcool. Para atender a demanda de 1,8 bilhão de litros para o Japão seriam necessários cerca de 250 mil hectares de cana. Cerca de 5,5 milhões de hectares são destinados atualmente à cana-de-açúcar.

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