Indústrias pedem percentual maior de etanol na gasolina

O cenário de quebra de safra registrado no Rio Grande do Norte se repete em outros Estados produtores de cana. Para compensar as perdas, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) solicitou ao Governo Federal a elevação do percentual de álcool anidro na gasolina. O pedido está sob análise do Ministério de Minas e Energia (MME) que estuda a possibilidade da concentração passar dos 25% para 27,5%.

Na análise principal do MME, a medida de incentivo ao setor é positiva na medida em que contribuiria para melhorar a saúde financeira do setor e para elevar o fator de utilização da capacidade industrial instalada. No entanto, segundo o Ministério, dois pontos fundamentais devem ser avaliados: expectativa de produção de etanol para a próxima safra – que deve ser  divulgada nos próximos dias – e o posicionamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores Anfavea) quanto à existência de barreiras técnicas para utilização desta mistura em veículos que não são do tipo flex-fuel.

Para eximir a dúvida, o MME convocou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para conduzir uma avaliação dos dados de testes disponíveis e se for o caso, realizar testes capazes de concluir se há algum prejuízo para o consumidor, no que diz respeito ao funcionamento do veículo com essa nova mistura de etanol na gasolina, ou para a sociedade como um todo, no que se refere ao nível de emissões. Os veículos a gasolina são projetados para operar com 22% de etanol anidro, sendo admissível, segundo a Anfavea, alterar essa mistura apenas no intervalo entre 18% e 25%.

O engenheiro mecânico Gustavo Barros afirmou que caso o Governo aprove a mudança na composição do combustível, os motores dos carros flex não sofrerão danos. “No entanto, os carros que são projetados para funcionar apenas com gasolina, devem sofrer algum tipo de prejuízo. É preciso analisar com mais cautela”, disse. O profissional alertou ainda que a mudança na composição vai alterar o rendimento dos automóveis. “Com o aumento de álcool, o carro acaba fazendo um quilometragem menor. Ou seja, o preço pode até permanecer o mesmo, mas o consumidor precisará ir mais vezes ao posto”, explicou.

Atualmente, a gasolina vendida nos postos apresenta 25% de álcool em sua composição. A primeira mudança no combustível foi aprovada pelo Governo Federal em novembro de 2006, quando o percentual de álcool na gasolina era de 23%. A última mudança ocorreu em maio do ano passado após aumento de 10% nos preços dos combustíveis.

(Fonte: Tribuna do Norte)

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