Crédito agrícola atingirá R$ 40 bi na safra 2004/05

O plantio da safra 2003/04 mal começou e o governo federal já trabalha na elaboração do plano de safra 2004/05. A expectativa inicial do Ministério da Agricultura é de que os recursos para financiamento do plantio naquele ciclo cheguem a R$ 40 bilhões, valor 23% acima dos recursos definidos neste ano, de R$ 32,5 bilhões, de acordo com Biramar Nunes, assessor especial do ministro, Roberto Rodrigues.

“Temos como base os aumentos dos últimos anos, que ficaram em torno de 20% e 25%”, afirmou Nunes, que participou, na sexta-feira, do seminário sobre política de crédito rural, organizado pelo Pensa (Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial), da Universidade de São Paulo (USP).

O programa para o plano agrícola 2004/05 já começou a ser discutido com os secretários do Ministério da Agricultura, disse Linneu da Costa Lima, coordenador de Produção e Comercialização. “São duas as prioridades do governo Lula. A primeira é o apoio aos produtos básicos, como arroz, feijão e milho. A outra é garantir apoio ao produtos voltados para exportação”, afirmou.

Principal financiador agrícola, o Banco do Brasil também deverá aumentar os créditos na mesma proporção, afirmou ao Valor José Carlos Vaz, diretor de agronegócios do BB. Neste ano, o BB vai liberar cerca de R$ 20 bilhões.

O atual plano de safra, anunciado em junho pelo governo, foi planejado com três meses de antecedência. O governo quer um tempo maior para definir os rumos da nova safra, por meio de um planejamento antecipado. “O governo pretende definir o próximo plano até abril de 2004”, acrescentou Nunes. A queda da taxa de juros básica, a expectativa de aumento dos depósitos à vista, e a maior importância dos agronegócios sinalizam um cenário positivo para os agricultores em 2004.

Segundo o assessor, os financiamentos para investimentos agrícolas – como maquinário e silos – deverão ganhar maior importância, assim como já ocorre com os recursos destinados ao plantio e à comercialização. Do total liberado pelo governo na safra 2002/03, R$ 4,63 bilhões foram para investimento. Nesta safra, a expectativa é de que sejam liberados R$ 5,75 bilhões. “Entre 1986 e 1995 todos os recursos eram voltados para custeio e comercialização. Com a carência de investimentos, o parque de máquinas foi se sucateando”, afirmou Biramar Nunes.

Até o momento, o governo liberou R$ 6 bilhões dos R$ 32,5 bilhões previstos para esta safra, de acordo com ele. Boa parte desses recursos foi destinada ao plantio da safra de verão, sobretudo no Centro-Sul do país. Entre este mês e outubro, o desembolso deverá ser significativo, já que o período é considerado pico das contratações bancárias.

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