Com alta da gasolina, venda de etanol cresce mais de 20% no Brasil

Etanol passou a valer 67,9% do valor da gasolina

A alta no preço da gasolina fez crescer em mais de 20% a venda de etanol no Brasil. É que, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), o etanol passou a valer 67,9% do valor da gasolina, se tornando uma alternativa mais barata em meio ao mega reajuste.

A venda de etanol hidratado no Centro-Sul do país chegou a 1,11 bilhão de litros em fevereiro, 26,2% mais que em janeiro.

Para o diretor técnico da UNICA, Antônio de Pádua Rodrigues, o consumidor é quem, na ponta, define os rumos das vendas de combustíveis. Isso porque ele vai “sempre vai buscar o combustível mais barato. Em alguns momentos, o mais barato para ele é o etanol, e em outros a gasolina”, disse em entrevista para o  Jornal Nacional.

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 Essa vantagem, no entanto, não deve se estender muito, visto que o álcool também sofre pressão com o aumento do diesel, que afeta o transporte da cana-de-açúcar.

“É só pensar que parte importante da mercadoria que roda no Brasil é transportada por caminhões que usam óleo diesel. Então, dessa maneira, você consegue pensar que o custo do transporte das mercadorias do Sul para o Norte, por exemplo, vai ser afetado pelo aumento do custo do combustível”, explicou o economista e professor da FGV Mauro Rochlin.

Desabastecimento

Rodrigues, da UNICA

Em nota, a Petrobras defende o reajuste de preços de combustíveis de acordo com o mercado internacional de petróleo, para evitar riscos de desabastecimento.

A Petrobras informou que os reajustes anunciados no dia 10 de março, que incluíram aumentos de 18% na gasolina e de 24,9% no óleo diesel, foram uma resposta à disparada dos preços internacionais, resultante da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro.

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Segundo a nota, a Petrobras só fez o reajuste no dia 11 de março, ou seja, duas semanas depois. Ainda assim, a empresa diz que os aumentos só refletiam parte da elevação dos preços internacionais do petróleo, “que foram fortemente impactados pela oferta limitada frente à demanda mundial por energia”.

A empresa destacou ainda que “tem sensibilidade quanto aos impactos dos preços na sociedade e mantém monitoramento diário do mercado nesse momento desafiador e de alta volatilidade, não podendo antecipar decisões sobre manutenção ou ajustes de preços”.

 

 

 

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