Brasil pode responder por até 20% do mercado mundial de carbono

75% desse percentual está ligado ao uso do solo  

O Planeta se aquece. Segundo cientistas, a temperatura média da terra é de 15°C. Nos últimos 200 anos, graças à ação dos gases do efeito estufa (GEE), essa temperatura aumentou cerca de 1,1°C, o que só deveria acontecer daqui a 50 mil anos.

A comunidade científica adverte que o limite é de 1,5°C, para se evitar uma catástrofe climática. Reduzir a emissão desses gases é o grande desafio.

“Precisamos entender que mudança climática, não é apenas problema de urso polar. É uma questão de milhões de pessoas e seres vivos. Só para ter uma ideia, a Holanda, um dos maiores PIB e o quarto maior exportador de agro do mundo, desaparecerá”, explica Eduardo Bastos, ex-diretor de sustentabilidade da Bayer e atual CEO da MyCarbon, e uma das principais referências em mercado de carbono.

No meio dos desafios também surgem algumas oportunidades. E o mercado de carbono é uma delas. Ele foi criado para favorecer quem quer fazer algo que vai ou aumentar a captura, ou vai reduzir a emissão dos GEE. Segundo Bastos, o Brasil tem de 15% a 20% de potencial para explorar esse novo mercado. Para se ter uma dimensão disso, esse percentual supera de longe as possibilidades de países como Estados Unidos (3%), China (2%) e Rússia (2%).

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“Esse mercado já movimentou aproximadamente U$ 260 Milhões de dólares lá em 2020 no mercado regulado e U$ 473 milhões no voluntário. Ano passado o voluntário fechou em U$ 1 bi e o regulado em U$ 350 milhões, um crescimento exponencial”, informou.

O executivo lembra que O Brasil é reconhecido no mundo como uma potência agrícola e ambiental. “Temos a terceira maior floresta do planeta, a maior floresta tropical amazônica, com a maior biodiversidade do mundo. Somos o quarto maior produtor de alimentos e terceiro maior exportador, então sim, o Brasil é uma potência agroambiental. Temos potencial para ser o maior gerador de créditos carbono do mundo. Só no mercado voluntário, podemos suprir até 37,5% da demanda mundial até 2030, gerando US$ 100 bilhões em créditos”, afirma Bastos.

“Então essa é a beleza que a gente tem em pensar em sistemas integrados, agricultura regenerativa, em aumentar escala e o perfil de biocombustíveis, sim tem muita coisa bacana. Na Câmara Internacional do Comércio, ano passado a gente fez esse estudo mostrando o potencial de 1 bilhão de toneladas, mais de US$100 bilhões de dólares e no próprio estudo fala que 75% do potencial que o Brasil tem está ligado ao uso do solo”, informou.

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Para Bastos, o Brasil tem uma oportunidade incrível de regular esse mercado. “Tem um projeto de lei tramitando no Congresso e na semana passada o Governo Federal tomou a decisão de soltar um decreto para ajudar a começar a montar essas bases e montar um Sistema Nacional de Registro”, disse.

Bastos destaca ainda que globalmente um dos maiores desafios para o país será resgatar a marca Brasil, mostrando para o mundo que o país cumpre o que promete. “A gente precisa trazer mais ciência, colocar mais recursos, trabalhar essa ideia de criar o primeiro centro de carbono tropical do mundo aqui no Brasil” disse.

Com relação ao CBIOs, Bastos lembra que ele não é crédito de carbono. “Ele não é crédito de carbono. É algo específico para o mercado regulador de combustíveis, assim como o I-REC é um certificado específico para o mercado de energia. Não são fungíveis, eles não são misturados, você não pode pegar esse crédito e vender lá fora como crédito de carbono. Não estou dizendo isso para o lado negativo. Estou falando que o Brasil teve a ousadia de criar um mercado equivalente à queda de carbono antes do mercado de carbono, e isso é incrível”, disse.

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Complementando, o CEO da MyCarbon ressaltou que o Brasil precisa criar um mercado global para ter mais liquidez. “Hoje está a R$ 100,00 e todo mundo está feliz, mas a gente sabe que é só cair a safra e o preço cai. Aí você fica brigando para tentar vender aqui dentro só aqui dentro mesmo. Então, vem aquela pergunta: caramba porque eu não poderia vender CBIO, para o consumidor, para a empresa que está vendendo diesel lá na bomba em Amsterdam, por exemplo. Não pode porque o CBIO está circunscrito ao Brasil. Acho que essa é uma oportunidade que a gente tem de dialogar mais com o Itamaraty, Ministério da Agricultura, usar os adidos Adidas que a gente tem para ajudar a gente construir isso”, explica Bastos.

 

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