Bolsonaro afirma que EUA beneficia Brasil com cota extra de açúcar

Setor rebate dizendo que trata-se somente de procedimento normal
Setor quer ampliar exportações de açúcar para os EUA com melhores tarifas

O presidente Jair Bolsonaro postou nas redes sociais ter recebido do governo dos Estados Unidos a informação de que o Brasil terá uma cota extra de exportação de 80 mil toneladas de açúcar para o ano fiscal de 2020 direcionada para o mercado americano. A informação também foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Segundo Bolsonaro, é o primeiro resultado das negociações bilaterais abertas para discutir a situação do setor sucroenergético. “A quota brasileira passará de 230 mil para 310 mil toneladas e, por lei, beneficiará exclusivamente os produtores do Nordeste”, disse o presidente.

A ampliação dessa cota foi uma contrapartida à liberação da entrada no Brasil de 187,5 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos sem tarifa de importação, que havia sido anunciada recentemente.

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Em comunicado, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e Fórum Nacional Sucroenergético (FNS) informaram que é preciso esclarecer que se trata de um procedimento normal adotado pelos EUA nos últimos anos, “sem representar qualquer avanço estrutural para um maior acesso do açúcar brasileiro àquele país”.

As entidades alegam, que além da cota tradicional que o Brasil possui, de 152 mil ton/ano, tem sido praxe a abertura de novas cotas para suprir os volumes dos países que não conseguem vender a quantidade prevista ou para complementar a demanda anual dos Estados Unidos.

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“Nesses casos, o Brasil acaba sendo beneficiado não por concessão americana, mas por ser o país com o maior volume de açúcar para exportação no mundo”, elucidam.

O segundo ponto é que essa cota adicional de açúcar, que representa apenas 0,3% da média das exportações brasileiras de açúcar dos últimos anos, é consideravelmente inferior à cota mensal de etanol que o Brasil ofereceu novamente aos EUA em setembro.

A UNICA e o FNS alertam ainda que é fundamental que “as discussões entre os dois países avancem em direção à ampliação significativa das nossas exportações de açúcar, a partir de resultados permanentes e concretos, condizentes com a concessão feita pelo Brasil nos últimos anos para o etanol americano”.

 

 

 

 

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