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Altos preços do etanol hidratado incentivam o início antecipado da safra

Itaú BBA afirma também que 80% do açúcar da safra 21/22 já está travado na bolsa

Nas duas últimas semanas de fevereiro, as negociações de etanol saltaram de R$ 2,30 para R$ 2,88/l, sem impostos

Durante o mês de fevereiro os preços de açúcar apresentaram fortes variações ressalta o Radar Agro, serviço de análise do Itaú BBA, divulgado nesta quarta-feira (3). A tela de março/21 chegou aos cUSD 18/lp e finalizou o mês em cUSD 17,84/lp, alta de 10,7%.

Segundo a instituição, a queda dos preços no final do mês ocorreu em função da expectativa de que a expiração do vencimento de março traria consigo um volume alto entregas na bolsa. “A tela de maio/21 agora é o vencimento mais curto, e fechou em cUSD 16,42/lp, alta de 9% comparada com o último fechamento de janeiro”, explica.

Já as cotações fortalecidas do VHP em USD em fevereiro foram impulsionadas pelas altas do Brent. Além disso, o aperto do balanço de O&D global se mostrou mais forte com os problemas enfrentados pela Índia e Tailândia que refletiram diretamente no preço da commodity.

O banco informa que a Índia enfrentou problemas logísticos para exportação do demerara, e fez com que os compradores procurassem outras origens. “A Tailândia, por ser um país exportador do produto e geograficamente próxima aos destinos, foi uma das cotadas, porém nesta safra além de uma área menor de produção, também está enfrentando baixa produtividade e, portanto, menor disponibilidade de açúcar. Os prêmios do açúcar no país aumentaram e consequentemente acabaram influenciando nos preços em NY”, esclareceu.

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No Brasil, os preços do adoçante em reais por tonelada apresentaram recordes, com valores acima de BRL 2.000/t, e cerca de 80% do açúcar da safra 2021/22 já travado na bolsa.

Para os analistas da consultoria agro do Itaú BBA, o aperto no balanço global de O&D continua direcionando os preços em patamares em que o açúcar indiano continue na paridade de exportação. Os problemas logísticos no país começaram a diminuir e tendem a voltar à normalidade apesar das perspectivas de custos logísticos mais altos. Além disso, a safra indiana começa a chegar ao fim em algumas regiões, e o foco do mercado começa a se voltar novamente para a safra do Centro-Sul do Brasil.

Problemas logísticos enfrentados pela Índia e Tailândia refletiram diretamente no preço da commodity

Com grande parte da safra brasileira já precificada em NY, as luzes se voltam para o desenvolvimento da cana e início da safra 2021/22.

Em relação à cana, o banco lembra que o período seco em 2020 atrasou o desenvolvimento das soqueiras para colheita em 2021, o que sugere que poderá ter um atraso no início da colheita para ajudar a recuperar parte da produtividade comprometida, ou seja, melhores TCH (tonelada de cana por hectare) e ATR (açúcar total).

Porém, com os preços atuais do etanol batendo recordes históricos, a grande questão do mercado neste momento se volta para a conta do tradeoff entre melhores produtividades esperando a cana se desenvolver ou a captura dos bons preços de etanol colhendo a cana antecipadamente.

Além disso, outro fator que deve continuar no radar é a evolução das chuvas que são necessárias tanto para o desenvolvimento da soqueira quanto para a cana que está sendo plantada neste início de ano.

Quanto ao etanol, a instituição ressalta que, em Paulínia – SP, o preço do hidratado sem impostos fechou fevereiro com recorde nominal histórico em R$ 2,88/l, alta de 30,9% em relação à última semana de janeiro. “O forte aumento foi em função do período de entressafra e os reajustes positivos na gasolina A nas refinarias realizados pela Petrobras”, afirma.

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Durante o mês, parte dos reajustes da Petrobras na gasolina A nas refinarias realizados em janeiro começou a ser repassado para as bombas, fazendo com que as paridades que estavam em torno de 70% ou acima, começassem a cair. Com o aumento da competitividade do etanol, o consumo do biocombustível começou a subir.

Reajustes positivos na gasolina A nas refinarias realizados pela Petrobras contribuíram para os altos preços do etanol

Segundo o Itaú BBA, no dia 19/2, com um novo reajuste anunciado pela Petrobras, as usinas anteciparam um possível aumento adicional da demanda pelo hidratado e passaram a pedir preços maiores pelo produto. Com isso, nas duas últimas semanas do mês as negociações saltaram de R$ 2,30 para R$ 2,88/l, sem impostos.

Assim, diante da postura mais cautelosa nas compras por parte das distribuidoras nos últimos tempos face às incertezas em relação ao consumo, o banco esperar que os estoques estejam baixos e, portanto, esse aumento de preço recente nas usinas seja repassado mais rapidamente para a bomba.

“Os altos preços do etanol hidratado incentivam o início antecipado da safra das usinas no Centro-Sul, porém isso pode levar a perdas de produtividade pois poderão ser colhidas áreas de cana sem o desenvolvimento completo. Mesmo com um início antecipado da colheita, os altos preços do petróleo e, consequentemente, da gasolina do mercado interno (assumindo um câmbio desvalorizado), deve sustentar os preços de etanol em patamares elevados”, conclui o banco.

 

 

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