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Alta produtividade agrícola depende de gestão, segurança e qualidade das operações

Cevasa, Guaíra, São Domingos e Tereos mostram os motivos

Para uma alta performance dos canaviais as usinas desejam ter como resultado a cana de 3 dígitos. Ao passo que para isso é preciso aumentar a produtividade por hectare acima de 100 toneladas sem crescer em área. O que é um grande desafio. Aqueles que têm se destacado, geralmente, são os que investem em tecnologias e ferramentas.  De modo que munidos desses subsídios conseguem suprir as necessidades fisiológicas do canavial no momento certo e com a quantidade necessária.

Mas só isso não basta. Além da alta produtividade é preciso considerar que a gestão, a segurança e a qualidade das operações agrícolas são parte da equação cujo resultado final é a lucratividade da usina e satisfação dos colaboradores e clientes finais. Com a safra praticamente encerrada e os gestores da área agrícola voltando à prancheta para planejar o próximo ciclo, bons benchmarkings fazem toda a diferença.

Para debater o assunto, o Jornalcana realizou no dia 2 de dezembro, o webinar USINAS DE ALTA PERFORMANCE AGRÍCOLA – Gestão, Segurança & Qualidade nas Operações Agrícolas. Com mediação de Josias Messias, diretor da Procana, o evento contou com o patrocínio das empresas AxiAgro; Dimastec; GDT by Pró-Usinas e S-PAA Soteica.

Fred Polizello, diretor agrícola da São Domingos

Fred Polizello, diretor agrícola da Usina São Domingos, afirmou que a companhia teve um aproveitamento agrícola exemplar nessa safra. A usina obteve moagem recorde de cerca de 2,6 milhões de toneladas de cana, com 86,90 Toneladas de Cana por Hectare (TCH) e 142,16 de Açúcar Total Recuperado (ATR). Os números refletem as considerações da unidade produtora para obter produtividade de 3 dígitos e ser uma usina de alta performance agrícola.

De acordo com Polizello os resultados devem-se em boa parte ao tripé da gestão agrícola estabelecido na unidade. As vias desse modelo de gestão estão divididas em um modelo de gestão de pessoas, baseado em gestão de processos bem definidos; na definição do foco de atuação, que é baseado em canavial sem falhas, replantio de soqueiras, controle de ervas daninhas e no rol de variedades, versus ambiente de produção, versus macro região de colheita e  finalmente, em ferramentas que proporcionam maior eficiência na gestão, que desempenham bem a performance dos equipamentos e ferramentas de eficiência na colheita.

Além desse tripé de gestão, Polizello destaca um projeto que está contribuindo para a usina alcançar bons resultados. “Após dois anos de desenvolvimento interno, a usina está concluindo o seu projeto de Agricultura 4.0, testando e conhecendo diferentes tecnologias de comunicação. O sistema permitirá que 100% das operações sejam monitoradas em tempo real”, comentou.

Mapeamento de processos contribui para uma gestão mais eficiente

Mateus Silva, engenheiro agrônomo da UAG

A Usina Açucareira Guaíra (UAG), com unidade de processamento de cana-de-açúcar localizada em Guaíra (SP), tem histórico de sempre alcançar as maiores médias do Brasil em toneladas de açúcar por hectare (TAH) e sendo sempre destaque entre as demais usinas sucroenergéticas participantes do benchmarking CTC. Parte desse sucesso passa pelo profissional Mateus Silva, engenheiro agrônomo da usina, que participou do webinar.

Silva salientou a importância de se incluir o PDCA quando se fala em gestão. O PDCA oferece condições para gerir as operações com foco na qualidade, em um constante ciclo de aperfeiçoamento. Após planejar, executar, checar e agir, é possível agregar os conhecimentos recém adquiridos para planejar novamente, eliminando falhas, desperdícios e aumentar sua competitividade.

Com o mapeamento das ações necessárias em mãos, a empresa iniciou alguns processos visando aumentar a produtividade, entre eles, está a técnica de meiosi usada para otimizar produção e qualidade do canavial e mobilidade para apontamentos. O plantio de Mudas Pré-Brotadas (MPB) foi o escolhido, garantindo assim que o canavial seja iniciado com total sanidade fitossanitária e com pureza varietal, aproveitando ao máximo o desempenho quantitativo (maior TCH) e qualitativo (maior ATR), já que não se terá riscos de interferência na maturação dos campos.

“Quando utilizado o plantio mecanizado, para cada hectare colhido destinado a muda plantava-se 6,2 hectares. Com esta inovação no processo, para uma área de 2.967,74 ha de reforma deixa-se de colher uma área de 478,66 ha que são destinados a produção industrial aumentando a receita”, ressaltou o engenheiro agrônomo.

Silva destacou ainda como ferramenta de gestão o projeto Totvs, iniciado há dois anos e que fornece detalhamento da produtividade operacional e do controle automotivo. “Realizamos a efetivação da mobilidade no campo promovendo automação dos apontamentos em 100% das operações agrícola com validações online melhorando o controle de qualidade das operações e apuração dos custos ao final de cada mês”, comentou.

Gerenciamento da rotina como ferramenta de melhoria contínua

Luiz Donizete Ribeiro, gerente executivo de produção agrícola do Grupo Tereos

A gestão de rotina é considerada fundamental para empresas que pretendem otimizar desempenho e melhorar seus resultados operacionais. “As ferramentas de gestão de rotina possibilitam a padronização das atividades, a compreensão clara da relação entre indicadores de desempenho, do processo operacional e aponta quais são as suas atividades críticas, além de possibilitar a identificação de como cada nível organizacional participa para alcançar as estratégias da empresa”, explicou Luiz Donizete Ribeiro, gerente executivo de produção agrícola do Grupo Tereos.

O gerenciamento da rotina foi iniciado há quatro anos na companhia e possibilitou melhorias continuas nas últimas safras. Durante este período foram implantadas ferramentas cujo foco é justamente pensar em ser sempre melhor a cada dia, entre elas, tem destaque o método Kaizen.

De acordo com Ribeiro, o método possibilitou bons resultados. “Comparando o desempenho das últimas três safras, é possível evidenciar que os resultados de tempo produtivo estão cada vez melhores”, disse. Como exemplo, ele mostrou dados de produtividade das colhedoras, que passaram de 61,5 em 2018, para 68,2, este ano e nos tratos culturais, o tempo produtivo passou de 26,3 em 2019 para 43,8 este ano.

O profissional disse ainda que uma equipe específica monitora a qualidade nas operações agrícolas, de preparo de solo, plantio, colheita e tratos culturais, identificando os desvios e propondo ações corretivas, visando evitar a perda de produtividade agrícola. “No conjunto dos parâmetros de qualidade tivemos um avanço bastante representativo, com relação às safras anteriores, passando de 70.4% na safra 19/20 para 90,2% na safra atual.

Recorde de qualidade da matéria-prima

Natália Zanon, gerente agrícola da Cevasa

Nessa safra a Cevasa bateu o recorde da qualidade da matéria-prima com o volume de açúcar total recuperado (ATR) superior a 142 kg por tonelada. Segundo a direção da empresa, a qualidade da matéria-prima é fundamental para o bom êxito das operações da indústria, não sendo diferente no mês dos recordes.

A entrega de cana com maior concentração em kg de açúcar total recuperado (ATR) favorece também seus recordes de produção. Esse êxito é resultado do trabalho competente da equipe liderada por Natália Zanon, que conseguiu aliar segurança e qualidade nas operações.

No webinar, Natália contou que foi iniciado um trabalho em 2016 visando a verticalização da produtividade. Com base na análise de safras anteriores foram levantados todos os gargalos de produtividade, dentre eles: baixa qualidade na operação de colheita, perdas e impurezas elevadas, alta infestação de pragas, além do censo varietal desajustado.

A partir dessa análise, foram adotadas diversas ações na agrícola como introdução de novas variedades; implantação de plataforma inteligente de previsão e automatização das tomadas de decisão, por meio de “big data mining” e inteligência artificial para otimizar a performance e gestão do MIP (manejo integrado de pragas), como também, a melhoria da qualidade das operações de colheita, entre outros.

“Como resultado das ações, a Cevasa vem apresentando redução dos índices de pragas, melhoria na qualidade de colheita e consequentemente valores superiores de ATR e TAH safra após safra. Conquistando 73 recordes na agrícola nesta safra, com zero acidentes CAF (com afastamento) e SAF (sem afastamento)”, concluiu.

 

 

 

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