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Álcool gera discórdia entre usinas e distribuidores

“O aumento da gasolina foi maior por causa da alta do preço do álcool”. A afirmação, em tom acusatório, foi repetida, nos últimos dias, em vários veículos da imprensa nacional por representantes dos distribuidores e revendedores de combustíveis – entre eles o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), Luiz Gil Siuffo, que chegou a acusar o setor sucroalcooleiro de cartelização.

A briga travada na imprensa ameaça desembarcar na próxima quarta-feira na reunião do CIMA (Conselho Interministerial do Açúcar e o Álcool), em Brasília.

As distribuidoras defendem a redução do percentual de mistura do álcool na gasolina, fixado, atualmente, em 25%.

O argumento, embora pareça lógico, num primeiro momento – o álcool combustível teve reajuste de cerca de 20% em outubro –não se sustenta, “a não ser no descontentamento com a queda nas margens de lucros dos distribuidores”, esclarece o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar), Jorge Toledo.

A avaliação do Sindaçúcar é de que esta questão não deverá sequer ser analisada pelo CIMA, na próxima reunião – a última do ano.

“Não faz o menor sentido. O preço do álcool é um problema de mercado, que deve ser resolvido entre distribuidores e fabricantes. O CIMA deve se preocupar, por exemplo, com o abastecimento. E o governo sabe que não existe, nem existirá problemas de abastecimento. Nós temos o compromisso de manter o mercado plenamente abastecido”, argumentou Jorge Toledo.

Margens

As afirmações da Fecombustíveis são consideradas equivocadas, na avaliação do Sindaçúcar, “na medida em que o preço do álcool continua representando pouco mais de 50% do valor da gasolina. Como reduzir o preço diminuindo na composição o combustível mais barato, que é o álcool? “, questionou Toledo.

O maior problema dos distribuidores, acredita o presidente do Sindaçúcar, nesta questão, foi a redução das margens de lucros. “O preço do álcool não aumentou, mas sim recuperou as perdas ocorridas durante o pico da safra do Centro Sul. Como a maioria dos distribuidores não baixou o preço para o consumidor, neste período, a margem de lucro aumentou. Agora, com a recomposição dos preços, a margem tem que diminuir um pouco. Talvez esta seja a verdadeira razão desta polêmica”, destacou. (Gazeta de Alagoas)

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