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Álcool: CMN define regras para financiamento dos estoques de no dia 29 de abril

O CMN (Conselho Monetário Nacional) define no próximo dia 29 as regras para o financiamento dos estoques de passagem de álcool combustível, justamente no inicío da safra da cana-de-açúcar. Os recursos, no entanto, estão limitados no Orçamento Geral da União-2004 em R$ 500 milhões, provenientes da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Esses recursos serão suficientes para cobrir aproximadamente um bilhão de litros do combustível, o que corresponde a quase totalidade do estoque existente, estimado em 1,38 bilhão de litros, segundo o diretor do Departamento do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Ângelo Bressan Filho.

A expectativa é de que os recursos estejam disponíveis a partir do mês que vem para a estocagem do álcool da safra 2004/2005. Na região Centro-Sul do Brasil, a previsão é de que sejam produzidos 13,3 bilhões de litros de álcool, entre anidro e hidratado, segundo a Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo).

Para o presidente da UDOP (Usinas e Destilarias do Oeste Paulista), Luiz Guilherme Zancaner, é uma hora extremamente interessante para a estocagem de álcool.

Ele afirma que o combustível é vendido hoje nas usinas a R$ 0,55, quando o ideal, diz, seria vender a R$ 0,65. “Os preços agora estão baixos, mas poderão se recuperar e abruptamente, daí a importância de manter os estoques para equilibrar os preços e evitar grandes oscilações entre a safra e a entressafra”.

No dia 22 de abril, reúne-se também em Brasília a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool para concluir as sugestões para as regras do financiamento de retenção de estoques, como taxa de juros, prazos de pagamento e contrapartidas a serem exigidas dos produtores.

A Câmara dará, ainda, continuidade aos estudos para elaboração de uma política de biocombustíveis para o país, envolvendo basicamente o álcool e o biodiesel, este um combustível para o qual ainda há necessidade de pesquisas tecnológicas e verificação dos aspectos econômicos, de produção e de logística, segundo Bressan.

“O país não tem tradição de utilização de óleos vegetais como combustível. Mas a adição de 5% de óleo vegetal no diesel do petróleo não apresenta maiores dificuldades em termos de ajuste de motores e poderia, em dois ou três anos, estar sendo colocado nos postos de gasolina, caso os estudos apontem essa solução como conveniente no momento”, disse Bressan.

O tema também fez parte de discussão recente entre o governo brasileiro e uma missão comercial norte-americana que esteve no Brasil, quando se levantou a possibilidade de uma política articulada entre os dois paises para combustíveis de origem vegetal. O assunto, porém, é embrionário, segundo Bressan, que vê na postura protecionista dos Estados Unidos uma barreira imediata ao desenvolvimento rápido de uma política conjunta, de complementaridade, nesse campo.

Os Estados Unidos já consumem cerca de 10 bilhões de litros de álcool combustível por ano, de forma auto-suficiente e com pequenas importações de países do Caribe, mais a título de cooperação que de necessidade econômica propriamente dita, segundo Bressan, que defende a continuidade dos entendimentos, pois, caso o mercado norte-americano venha a se abrir, ainda que por meio de cotas e que estas possam corresponder a pelo menos 10% do consumo deles, é uma boa oportunidade para a produção brasileira.

Apesar das condições de produção agrícola extremamente favoráveis ao Brasil na produção de combustíveis de origem vegetal, Bressan acredita que dificilmente, no curto prazo, haverá possibilidade de que os americanos venham a abrir mercado para os produtos brasileiros. Um exemplo é a o tributo de US$ 0,14 que os Estados Unidos impõe sobre o litro de álcool importado, o que tira a competitividade do produto estrangeiro.

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