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Álcool: China deve buscar modelo de eficiência no Brasil, diz ONU

Documento restrito e inédito da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) sugere ao governo da China que adote um monitoramento estratégico na matriz energética, baseado no uso sustentável de fontes renováveis de energia.

A agência da ONU sugere, no estudo, que a China busque ampliar a produção de bioenergia por meio de ganhos de produtividade agrícola e industrial, em decorrência das limitações crescimento de áreas rurais no país, e que busque, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, modelos de eficiência para a produção de etanol e da co-geração de energia a partir da biomassa.

A síntese do documento, encaminhado do Instituto de Desenvolvimento Energético da China, foi apresentada na 5ª Conferência Internacional do Pensa/USP pelo representante da Unido para o Nordeste da Ásia, o brasileiro Sérgio Miranda-da-Cruz.

A meta do estudo foi propor alternativas para que a China cumpra a lei aprovada em 2002 e amplie de 0,5% para 18% a participação da energia renovável na matriz energética do País. Atualmente, 66% da matriz energética da China é ocupada por carvão mineral, 21% pelo petróleo e 8% por energia hidrelétrica e renováveis, que respondem por apenas 0,5% do total.

A meta para 2020 é reduzir a participação do carvão para 57%, do petróleo para 15% e ampliar a da energia renovável para 18%, lastreada basicamente na bioenergia. A biomassa seria responsável por 5 pontos percentuais desses 18%, sugere a Unido. “A grande questão era se essa meta seria viável e a resposta foi sim”, afirmou Miranda-da-Cruz.

Além do uso do etanol e da co-geração de energia a partir da biomassa, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) sugeriu à China a busca por melhor eficiência do processamento de resíduos sólidos na produção de biogás e descartou a utilização de grãos na produção de energia, pois a alimentação dos chineses é prioritária, destacou o representante da agência da ONU para o Nordeste da Ásia, o brasileiro Sérgio Miranda-da-Cruz.

Esse fator seria positivo para o modelo brasileiro, que usa a cana-de-açúcar como base de sua produção de energia, ao contrário do norte-americana, baseado no uso do milho para a produção de etanol, por exemplo.

Miranda-da-Cruz disse ainda que a constatação de que o processo de urbanização chinês está sendo feito sobre as áreas agrícolas e de que a agricultura daquele país não tem mais como crescer, foi “um choque” para o governo local. “Por isso, nós sugerimos que a expansão se desse nos ganhos de produtividade agrícola e industrial”, explicou.

No processo de avaliação do modelo brasileiro, o executivo lembrou que hoje o País produz entre 30% e 40% mais de energia a partir da cana-de-açúcar e do bagaço do que toda a necessidade da China para 2020. O estudo da Unido sugeriu ainda que, mesmo com a ampliação da produção de álcool, a China teria de buscar, no exterior, 4,25 bilhões de litros de etanol por ano para cumprir a meta energética.

“O governo chinês nos questionou sobre qual País conseguiria produzir, num prazo curto, esse volume de etanol. A Índia foi descartada, Austrália e Tailândia poderiam fornecer volumes pequenos, mas não no nível do potencial brasileiro”, disse Miranda-da-Cruz. “Sugerimos a eles que se aproximassem e buscassem alianças estratégicas com o Brasil”, completou.

Outra constatação que “assustou” o governo chinês foi de que os gastos para a ampliação do parque nuclear daquele país até 2020 cairiam 50% – de US$ 16 bilhões para US$ 8 bilhões – para conseguir a mesma quantidade de energia a partir da biomassa.

Miranda-da-Cruz salientou que a Unido não “está vendendo produtos e sim ajudando a solucionar os problemas locais” e sugeriu aos empresários do setor sucroalcooleiro que vejam a China da mesma forma, “não tentem simplesmente vender etanol lá e ajam como uma parte da solução dos problemas”.

Por fim, o estudo da Unido sugere ainda à China uma ampla reformulação no sistema bancário e a conquista da liderança tecnológica, se o país quiser cumprir a meta e ampliar pra 50% em 2100 a participação de energia renovável na matriz energética.

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