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Agronegócio do Brasil deverá crescer, mas sua rentabilidade, não

Em breve o agronegócio brasileiro será o grande exportador global, mas isso não assegura maior rentabilidade aos produtores. Em uma das palestras mais disputadas do IV Congresso Brasileiro de Agribusiness, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, professor do Ibmec São Paulo, listou os principais obstáculos e as maiores ameaças para o desenvolvimento do setor. O congresso foi organizado pela Associação Brasileira de Agribusiness.

Giannetti destacou duas vertentes que incidem sobre o agronegócio. Uma é sistêmica e não depende dos tomadores de decisão do setor, e outra interna. A primeira se refere à demanda global pelos bens agropecuários, incluindo a aceitação do biocombustível, que deve continuar se expandindo. Afinal, a China e a Índia registram altas taxas de crescimento e o preço do barril do petróleo deve continuar em um patamar elevado. O economista também observa um movimento de liberalização no agronegócio, com queda das barreiras comerciais e protecionistas. “Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) conclui que o Brasil será o grande exportador, superando os Estados Unidos em oleaginosas e a Austrália em bovinos”, diz.

Ele ressalta, no entanto, que o aumento da demanda global não significa maior rentabilidade e maior preço. Com o crescimento das ofertas do setor por conta de ganhos de escala graças à biotecnologia e aos avanços na genética, a produtividade mundial vai atingir seu ápice. “No futuro, pequenas variações de produtividade irão definir tudo e o mercado será cada vez mais exigente”, afirma. Será imposto um rigoroso controle das normas ambientais, trabalhistas e de qualidade do produto.

Quem encabeça a lista de gargalos internos do setor, segundo Giannetti, é a infra-estrutura. “Este ano, se não tivéssemos uma crise por conta da seca, teríamos um problema gravíssimo”. Para ele, não se deve esperar colaboração do setor público com investimentos diretos. “É preciso criar agências reguladoras que incentivem os investimentos privados.” Outro gargalo é o ambiental. A chegada da soja na Amazônia pode prejudicar a imagem do Brasil no exterior. “Não podemos pensar apenas no negócio, mas em como o mundo vê o Brasil administrando o seu ativo, que é a floresta Amazônica”, diz.

Outro obstáculo listado é o jurídico, como as invasões dos sem-terra. “Fazer transferência de renda através da Reforma Agrária é errado, não funciona. Mais da metade das terras destinadas à reforma não são usadas da forma que deveriam. E quem me passou essa informação foi o senador Aloísio Mercadante [PT-SP, líder do governo no Senado]”. Por fim, fez duras críticas à marcha denominada “tratoraço”, que deverá chegar em Brasília na terça-feira que vem, dia 28 de junho.

“Para alguns produtores, pleitear o refinanciamento é plausível, como os agricultores do Sul, que sofreram com a seca. Mas quem não foi vítima exigir isso do governo, é se aproveitar da situação. A quebra de contrato não pode virar meio de vida. Não podemos todos os anos, quando a situação aperta e o governo está acuado, como agora, o setor fazer essa exigência”. A platéia aplaudiu.

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