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Tarifaço dos EUA, PL da Reciprocidade: o que mais foi destaque no primeiro dia do Cana Summit

Organizado pela ORPLANA, Cana Summit segue nesta quinta-feira, dia 03, em Brasília

Imagem: Divulgação
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Temas atuais em torno do agronegócio e que impactam diretamente os produtores de cana-de-açúcar dominaram as discussões nesta quarta-feira (2), no primeiro dia do Cana Summit 2025, evento organizado pela ORPLANA – Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil.

O encontro, que acontece até quinta (3), em Brasília/DF, reúne mais de 600 canavicultores de diferentes regiões produtoras do país.

O evento está sendo realizado no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil) e contou, na cerimônia de abertura, com a presença de representantes de entidades do setor, entre eles:

  • José Mário Schreiner, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e
  • Tania Zanella, superintendente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras),
  • além de políticos como o deputado federal Pedro Lupion, presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária),
  • e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
  • O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também esteve presente na cerimônia.

“Ter os produtores junto com os políticos é fundamental. Eles sentem, medem a temperatura e entendem a importância dessa proximidade para fortalecer nossa representatividade”, afirmou o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira.


 

Tarifaço dos Estados Unidos e o PL da Reciprocidade

Dentre as pautas debatidas, destaque para o tarifaço imposto pelos Estados Unidos – o presidente americano Donald Trump anunciou taxação mínima de 10% sobre todos os produtos importados do Brasil – e o Projeto de Lei (PL) da Reciprocidade, aprovado pelo Senado e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.

O projeto visa estabelecer medidas de resposta a políticas unilaterais adotadas por outros países, o que tem gerado preocupação entre produtores, lideranças do setor e autoridades políticas.
 

Segurança Jurídica no Campo e Desafios do Setor Sucroenergético

Outro tema de relevância abordado durante os painéis foi a segurança jurídica no campo. Diferentes parlamentares e, também, o governador mineiro ressaltaram a necessidade de garantir a proteção das propriedades privadas e mencionaram um decreto recente que destinou recursos financeiros para áreas vulneráveis a invasões.

Segundo Nogueira, a Frente Parlamentar da Agropecuária segue atenta a essas questões para assegurar um ambiente seguro e estável para os produtores.
 

Durante as discussões, também foram abordados os desafios e oportunidades do setor sucroenergético em um cenário global. Entre os pontos levantados, destacou-se a importância da reciprocidade comercial e o impacto das normas da ISO (Organização Internacional do Açúcar) sobre o mercado.
 

Nogueira ressaltou a competitividade do etanol brasileiro, especialmente em relação à descarbonização, fator essencial para o setor.
 

“A competitividade do etanol brasileiro é muito pujante. O norte-americano compra o etanol brasileiro principalmente pela intensidade de carbono. Produzir aqui no Brasil, através da cana, tem um poder de descarbonização maior do que o próprio etanol de milho dos Estados Unidos”, explicou o CEO da ORPLANA.
 

Próximos Passos do Cana Summit 2025

O Cana Summit 2025 segue nesta quinta-feira, com painéis técnicos e debates que vão aprofundar questões estratégicas para o setor, com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva da cana-de-açúcar no Brasil.

Na oportunidade, também será gerada uma atualização da Carta de Brasília, com reivindicações para os poderes Legislativo e Executivo em prol da sustentabilidade e o desenvolvimento da produção canavieira.