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Agricultura é tema de maior interesse do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa abordar no encontro dos Bric mais o futuro da agricultura global do que desdolarização do comércio, ainda mais diante de posições protecionistas da China, Índia e Rússia no setor, sugerem analistas.

“Dos interesses brasileiros, o mais importante para discutir no Bric é o futuro da política agrícola mundial e segurança alimentar, e não desdolarizaçào”, diz o embaixador José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

“O mundo vai comer mais e consumir mais energia. E nossa prioridade é como fica o futuro do comércio mundial, se vamos exportar só farelo de soja ou o produto processado, e decidir quem embolsa o valor agregado, se o Brasil ou o importador”, diz Botafogo.

Para Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação dos Produtores e Exportadores de Carne Suína, o que faz o Brasil t er sucesso na cena internacional é o agronegócio e o país precisa insistir em mais abertura dentro do grupo.

A China se tornou o maior importador mundial de produtos agrícolas brasileiros em 2008, com 20% do total. Em maio, o montante de suas compras já foi três vezes maior do que o do segundo colocado, a Holanda (com o porto de Roterdã) e os EUA em terceiro lugar. Em relação à Rússia, 90% das exportações brasileiras são de produtos agrícolas, sendo 50% de carnes e 40% de açúcar. A Índia importa pouco.

Só que há um desequilíbrio nas relações bilaterais. “Enquanto para o Brasil a China é o mercado, para eles não há tempo para conversar com a gente e isso é delicado”, afirma o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto. Em recente visita do presidente Lula a Pequim, os chineses aceitaram cumprir um acordo do ano passado e liberaram a entrada da carne de frango. Mas agora querem comprar o frango inteiro, para criar empregos no país com o corte do produto.

O Banco Mundial estima que a demanda por alimentos crescerá 50% até 2030, com o aumento da população, melhora na renda e a preferência da classe média pela dieta ocidental. A falta de acesso à água pode alcançar proporções críticas, principalmente para agricultura. O problema pode piorar com a rápida urbanização e os 1,2 bilhão de pessoas que vão se juntar à população mundial nos próximos 20 anos. A mudança climática exacerba a escassez de recursos.

Os países do Bric vão tentar definir uma posição comum sobre agricultura e segurança alimentar, para levar em julho à cúpula do G-8, que reúne os principais países industrializados. Devem pedir financiamento “adequado” para a produção mundial de alimentos, combate a subsídios dados pelos ricos e apoio ao etanol brasileiro como fonte limpa de energia e sem ameaça à segurança alimentar, na expectativa do chanceler Celso Amorim. (AM)

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