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Açúcar no Mercosul e Alca

Brasil e Argentina adiam o acordo sobre o produto. Passam-se os anos, atravessam-se as crises, aproximam-se os povos, consolida-se o sonho de formação de importante união comercial entre países vizinhos cada vez mais amigos. Ausente de solução somente a inclusão formal de um último produto: o açúcar.

Essa ausência indica uma fraqueza do Mercosul, infelizmente incompreendida e, portanto, negligenciada pelos negociadores diplomáticos dos quatro países. A falta de acordo para o açúcar caracteriza a incapacidade de encontrar soluções satisfatórias quando a questão é complexa e enfrenta resistências de setores organizados. Um Mercosul realmente forte já teria resolvido essa questão.

O açúcar não é um produto qualquer. A importância econômica da cana-de-açúcar é demonstrada pela sua posição de liderança no Estado de São Paulo, bem como em estados vizinhos e do Nordeste. Na pauta de exportações agrícolas do Brasil, ocupa a segunda posição e uma incontestável liderança mundial. Não se pode ignorar um produto com tal significado.

Também na Argentina o produto é diferenciado. A capacidade de mobilização de grupos de pressão organizados já foi amplamente demonstrada. Pela sua importância, um acordo para o açúcar mereceria maior prioridade e atenção dos negociadores diplomáticos.

Assistimos recentemente a mais uma viagem presidencial, desta vez à vizinha Argentina. Os parceiros assinaram acordos, festejaram amizades, mas não trataram do açúcar, nem antes e nem durante a viagem. Repetiram o que outros governos fizeram: deixaram para amanhã o que deveria ter sido decidido.

Parcerias fortes não fogem de problemas. Infelizmente, não é o caso do Mercosul, que prefere as festas ao enfrentamento de dificuldades. Esse comportamento torna frágil a essencial união de países vizinhos.

Os adversários comerciais dos brasileiros e dos argentinos estão atentos a essa incapacidade de encontrar soluções dentro do Mercosul. Diferentemente dos negociadores diplomáticos, eles preparam estratégias para resolver a integração do açúcar em beneficio próprio. Com isso, corremos o risco de entrar enfraquecidos na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) na negociação do açúcar.

A boa vontade demonstrada pelo setor privado açucareiro do Brasil, por este lamentável atraso, tem sido incorretamente avaliada pelos vizinhos e negociadores diplomáticos brasileiros. Aguardou-se até agora por entender que o vizinho necessitava de tempo para ajustes normais de toda integração comercial. Esperava-se, porém, que tais ajustes fossem realizados.

Imaginar que será aceito entrar fragilizado na negociação da Alca é grave erro e o açúcar brasileiro será prioridade na Alca, queiram ou não os responsáveis pelo Mercosul.

O potencial de geração de renda, empregos e divisas da cana-de-açúcar brasileira não pode ser menosprezado. No Brasil, também sabemos mobilizar a sociedade, e o setor açucareiro brasileiro exigirá a prioridade a que tem direito.

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