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Acordo agrícola traria ganho de US$ 265 bi

A reforma do comércio internacional de produtos agrícolas geraria um ganho, nos próximos dez anos, de cerca de US$ 265 bilhões, estima relatório do Banco Mundial. Os países ricos “lucrariam” até mais que os em desenvolvimento, apesar de os ganhos serem relativamente bem divididos: o grupo de países ricos conseguiria ganhos de US$ 136,6 bilhões, contra US$ 128,6 bilhões dos países em desenvolvimento.

As estimativas fazem parte de um dos capítulos do relatório “Comércio de produtos agrícolas e países em desenvolvimento”, divulgado ontem. Para fazê-las, os autores do trabalho tomaram um cenário básico até o ano de 2015. Depois, fizeram as mesmas estimativas considerando a hipótese de que fossem feitas as reformas para liberalizar o comércio e acabar com distorções e subsídios no mercado agrícola.

No ano passado, os países-membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) aprovaram um esboço de documento para as negociações agrícolas que, em 2003, ficaram paralisadas e levaram ao fracasso da rodada de liberalização comercial de Cancún. As negociações devem recomeçar, mas há muito ceticismo em relação ao cumprimento do prazo para sua conclusão, que deveria ocorrer até o final deste ano.

O trabalho do Banco Mundial mostra que, daqui para a frente, os ganhos com a liberalização do comércio internacional dependem muito mais das negociações agrícolas do que as que envolvem produtos industrializados. Se todas as tarifas e subsídios fossem eliminados -tanto das áreas agrícola quanto industrial, o ganho, em dez anos, seria de US$ 384 bilhões. Cerca de 69% deste ganho viria da reforma das políticas comerciais da área agrícola.

Apesar de os ganhos serem positivos tanto para países ricos quanto para os países em desenvolvimento, alguns setores dentro de cada país têm perdas significativas. A produção agrícola dos países ricos, por exemplo, cairia 11% com uma reforma generalizada, enquanto os países em desenvolvimento elevariam sua produção em 2,4%. Vale lembrar que os cálculos são sempre feitos para um período de dez anos. Eles mostram um impacto adicional ao que já seria previsto caso não ocorra nenhuma liberalização.

A reforma elevaria o comércio e, com a maior integração internacional, aumentaria a eficiência de vários setores, prevê o estudo. Mas também traria problemas, já que tanto nos países ricos quanto pobres haveria setores que sucumbiriam ante a nova concorrência. Na Europa e no Japão, por exemplo, o emprego no setor rural cairia mais de 20%, tendência ainda agravada com pequenas perdas de renda.

Ao mesmo tempo, países como o Brasil e a Argentina teriam ganhos de emprego. Por aqui, a alta seria de 12,5%, enquanto o país vizinho elevaria o emprego no setor agrícola em 13%. Os trabalhadores rurais argentinos teriam ganhos de renda que superariam os 5%, enquanto no Brasil eles seriam pouco maiores do que 3%.

O Banco Mundial alerta que não se trata de previsões exatas. Afinal, o cenário pode mudar muito até 2015. “A análise provê estimativas de ordem de magnitude para o potencial e as conseqüências das mudanças”, diz o relatório.

Quase metade (48%) do comércio de produtos agrícolas ocorre entre países desenvolvidos. Nos últimos dez anos, o volume das exportações agrícolas subiu, mas os países em desenvolvimento acabaram conseguindo ganhar mercados fora do mundo desenvolvido. A participação dos países desenvolvidos no total importado de produtos agrícolas, mostra o estudo, não mudou desde 1986.

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