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AbriLivre questiona política de preços de combustíveis da Petrobras

Associação afirma que preço dos combustíveis poderia reduzir com mudança na atual política

Em uma live realizada na noite da última quinta-feira (05), o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, disse que o lucro de R$ 44 bilhões da Petrobras no primeiro trimestre seria um “absurdo”. Ele chamou o resultado de “inadmissível” e ressaltou que a estatal “não pode mais aumentar o preço dos combustíveis”.

A Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (AbriLivre) explica que, atualmente, a Petrobras tem plenas condições de atender a demanda total de gasolina e diesel do país, a partir da produção por suas refinarias e petroquímicas de cerca de 80% da demanda brasileira e da importação dos 20% restantes.

Se a Petrobras deixasse de lado a sua atua política de PPI (Paridade de Preços Internacionais) e passasse a cobrar no mercado interno preços baseados em seus custos de produção e refino (o qual seria de 30 dólares norte-americanos por barril) e importação (preços internacionais que hoje estaria na faixa de 100 a 110 dólares norte-americanos por barril), com uma margem de lucro a seus acionistas de 50% (o que já seria bastante elevada para os padrões de mercado), o preço da gasolina e do diesel no mercado interno poderia estar na faixa de 60 a 70 dólares norte-americanos por barril e, não, os 100 ou 110 dólares norte-americanos definido no mercado interno pelo cartel institucional da OPEP, formada pelos principais países produtores e exportadores de petróleo.

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“Esta medida estaria plenamente respaldada no Estatuto da Petrobras e no Formulário 20-F publicado e apresentado pela companhia a seus acionistas e aos órgãos reguladores de mercado de capitais nacional e estrangeiros, em 2020″, explica o diretor Executivo da AbriLivre, Rodrigo Zingales.

A AbriLivre informa ainda que consta no referido Formulário 20-F, página 51, a seção que explica os riscos da Petrobras a seguinte frase:

“Como nosso acionista controlador, o Governo Federal brasileiro orientou e pode continuar a orientar certas políticas macroeconômicas e sociais por nosso intermédio, de acordo com a legislação brasileira. Dessa forma, podemos fazer investimentos, incorrer em custos e nos envolver em transações com partes ou em termos que podem ter um efeito adverso em nossos resultados e condição financeira”, a qual respaldaria uma intervenção do Governo Federal, na qualidade de acionista controlador, na política de preços da Petrobras, como parece ser a vontade do Presidente da República.

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Os dados comparativos de lucro da Estatal com o de outras relevantes petroleiras, revelados recentemente, também respaldam as críticas de Bolsonaro, e os comentários e sugestões levantadas pelo diretor Executivo da AbriLivre.

“Afinal, é de se estranhar que o lucro registrado pela Petrobras seja quase duas vezes maior do que aquele da Exxon Mobil ou quase 40% maior do aquele da petroleira chinesa, líder mundial na comercialização de derivados de Petróleo“, ressalta Zingales.

A AbriLivre questiona as razões que levam a Petrobras e alguns membros do Executivo e do Legislativo a defenderem essa política de preços e lucros da Estatal, se a elevação dos preços dos combustíveis tem gerado o aumento da inflação e o risco de recessão para o país.

“A população brasileira e o Brasil estão perdendo com isso, mas alguém está ganhando e, nesse caso, a população brasileira precisa saber que são essas pessoas e a razão para continuarem adotando uma política que prejudica o país”, indaga o Diretor Executivo da AbriLivre.

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