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A conversão do açúcar em eletricidade

São muitas as pessoas que evitam o açúcar, atualmente. Esse produto caiu em desgraça nas dietas mais comuns com baixo teor de carboidratos, mas ainda poderá se redimir. Um minúsculo organismo que se alimenta de açúcar pode transformar suas calorias, não nos pneuzinhos da região do abdome, mas em um produto mais respeitável: um modesto, porém constante fluxo de eletricidade.

Dois cientistas da Universidade de Massachusetts descobriram um novo microrganismo que gosta de açúcar, o Rhodoferax ferrireducens, que algum dia poderá servir de fonte estável de baixa energia. “É uma espécie de bateria bacteriana”, disse Derek R. Lovley, microbiólogo ambiental que chefiou a pesquisa. Os resultados foram apresentados em recente edição online da revista “Nature Biotechnology”.

O dr. Lovley cultivou o micróbio em um laboratório de Amherst, distante do manancial de Oyster Bay, na Virgínia, onde o descobriu. Depois, o instalou em uma célula de combustível simples em dois compartimentos. Enquanto ele se alimenta de açúcar e o metaboliza, os elétrons liberados durante o processo acumulam-se sobre um eletrodo em uma célula de combustível, produzindo corrente elétrica.

“Ao contrário da maior parte das células de combustível já existentes à base de micróbios, que utilizam açúcar e os liberam na faixa de 10%, esse novo processo pode transferir mais de 80% dos elétrons disponíveis no açúcar”, afirma o dr. Lovley.

A bateria bacteriana poderá, algum dia, ter muitas aplicações, como por exemplo, em sensores em locais remotos, ou em aparelhos domésticos que utilizariam o açúcar contido em restos de produtos agrícolas ou de outra natureza para produzir energia. O organismo do dr. Lovley realizou sua tarefa não apenas com sacarose, frutose e glucose – os açúcares simples encontrados, por exemplo, em frutas, beterrabas e cana-de-açúcar – mas também com xilose, um componente da madeira e da palha.

Muitos grupos de pesquisa nos Estados Unidos e no exterior trabalham com células de biocombustível que utilizam micróbios para converter matéria orgânica, como o açúcar, em eletricidade, informa G. Tayhas R. Palmore, professora adjunta de engenharia na Brown University, que pesquisa células de biocombustível.

“O micróbio usa toda a energia do açúcar para crescer e viver”, disse a dra. Palmore, em vez de liberar os elétrons do processo oxidante. Mas o micróbio do dr. Lovley é extremamente eficiente. “Ele encontrou um organismo que dá seus elétrons ao eletrodo. O micróbio do dr. Lovley faz todo o trabalho sozinho, sem os componentes intermediários que todos utilizamos para facilitar a transferência de elétrons”, diz a dra. Palmore.

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