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A cana-de-açúcar se civilizou

É claro que a resistência seria grande. Energia e combustíveis, junto com os alimentos, pautam a dinâmica do planeta e dão condições para que saúde, educação, saneamento e outros itens que servem à qualidade de vida sejam garantidos às populações. Isto, quando a política e os interesses financeiros permitem.

Daí sabermos que a aparição do Brasil como protagonista importante na transição para o uso maior de fontes renováveis de energia traria embates rigorosos no plano mundial.

Em março, a Pew Charitable Trusts, organização norte-americana independente, não voltada ao lucro, divulgou relatório encomendado ao Bloomberg New Energy Finance, que depois de analisar as inversões em energia renovável em 2009, apontou o Brasil como o sexto investidor mundial em valores absolutos (US$ 7,4 bilhões). À nossa frente, gente grande, como China e EUA.

Da energia consumida no País, quase 50% se originam de fontes renováveis, 16% do etanol. Para tais resultados, no período pós-Proálcool (1975), além da expansão da área plantada e dos processos industriais, contribuiu o relevante aumento de produtividade trazido pelos uso de tecnologia, melhoramento genético da cana e taxa de conversão de açúcar para álcool nas usinas.

Vê-se que governo e iniciativa privada entenderam esse futuro. Sabem ser possível trocar cerca de um quarto do consumo mundial de gasolina por biocombustíveis sem prejuízo à produção de alimentos. Uma dimensão que contraria enormes interesses.

Na semana passada, delegação comercial dos EUA baixou aqui com propostas para evitar medidas de retaliação autorizadas na OMC pelo contencioso do algodão. Foi perceptível o alívio com que a turma do deixa disso recebeu a notícia.

Se no algodão foi assim, no etanol não o será. O Departamento de Estado americano, em rel! atório anual que aponta violações dos direitos humanos em todos os países, exceto as de lá, acha que a produção de cana-de-açúcar nos prejudica. Carinhosos, não?

Acusam-nos de abusar dos trabalhos escravo e infantil e de reprimir movimentos sindicais. O fato, além de nos custar 14 centavos de dólar por litro de etanol exportado para os EUA, é comunicado ao Congresso e serve para subsidiar argumentos a favor da tarifa.

Cabe aqui uma observação. Ao sugerir na última coluna que os movimentos a favor de reforma agrária não deveriam ser vistos apenas como de baderneiros invasores, a caixa de mensagens foi invadida pelas forças defensoras da tradição, família e propriedade. Penso em direcioná-las ao “suspeito” governo dos EUA.

A produção de cana-de-açúcar já teve seus tempos escabrosos em relação às condições de trabalho no campo e preservação ambiental. Embora não tenha completado o ciclo em direção à sustentabilidade, sua evolução tem sido notória. Para se habilita! r a produzir 100 bilhões de litros/ano de etanol, suficientes para substituir 5% da gasolina usada no mundo, terá de livrar-se das acusações que hoje lhe são feitas.

Exemplos do quanto caminhamos nesse sentido podem ser lidos no suplemento “Carta Verde”, publicado junto com a última edição da “CartaCapital”. É inegável o crescimento da “economia verde” no País. Certificações, selos de procedência, parcerias em educação ambiental, cadeias de distribuição exigindo de fornecedores respeito com a sustentabilidade, devem criar, até 2050, um negócio mundial de US$ 6,5 trilhões, segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável.

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