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A Arábia Saudita dos combustíveis para aviação

Confira artigo de Jacyr Costa Filho

O Brasil está diante de uma grande oportunidade, capaz de alavancar o país para um protagonismo global na produção de combustíveis sustentáveis para a aviação, conhecidos como SAFs na sigla em inglês (Sustainable Aviation Fuels).

É uma chance que impacta diretamente o agronegócio e para a qual o País está plenamente equipado, com disponibilidade de matérias primas e know-how conquistado em décadas de produção e utilização, em larga escala, de combustíveis renováveis.

A indústria da aviação movimenta mundialmente cerca de 4,5 bilhões de passageiros e 61 milhões de toneladas de carga por ano, com impacto econômico estimado em US$ 3,5 trilhões gerando 88 milhões de empregos. Ao mesmo tempo, o setor emite 900 milhões de toneladas de CO2 anuais, ou 2% de todas as emissões geradas pela atividade humana. Se nada mudar, esse total pode passar dos 2 bilhões de toneladas anuais até 2050.

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As empresas que fabricam aeronaves consideram SAFs a principal medida disponível para reduzir emissões da aviação e única alternativa que pode ser introduzida no curto prazo, com efeito mínimo na infraestrutura e nas próprias aeronaves, pois não exige alterações técnicas. Mas aqui começam os desafios. A produção atual no mundo é de apenas 220 mil litros, cerca de 1% do consumo da aviação – o setor hoje precisa de 450 bilhões de litros anuais de combustível. Por não haver escala na produção, o custo dos SAFs, hoje, é cinco vezes maior do que o do combustível fóssil.

A importância deste momento, definidor para objetivos maiores que o Brasil pode almejar, foi discutida em um encontro de representantes dos principais fabricantes de aeronaves do planeta. Executivos da Boeing, Airbus e Embraer trouxeram para a última reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da FIESP, dados que deixam claro o quanto é fundamental ampliar fortemente a produção de SAFs, ganhando escala para reduzir o custo dessa alternativa. Vale lembrar, o combustível é o maior custo operacional de uma empresa aérea.

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Foto: Divulgação

SAFs podem ser produzidos a partir de matérias primas como sebo bovino, óleo de cozinha usado e gás de combustão ao etanol, madeira e resíduos agrícolas até o etanol e óleos vegetais, todos abundantes no Brasil. Junte-se a isso a experiência acumulada de décadas, como país que realizou no setor automotivo o maior projeto bem-sucedido de substituição de combustíveis fósseis por renováveis do mundo.

Como bem frisou o CEO da Airbus para o Brasil, Gilberto Peralta, o Brasil pode se tornar “a Arábia Saudita dos SAFs” e se não perseguir esse objetivo, corre-se o risco de exportar óleo de soja e importar SAFs da China ou exportar etanol e importar SAFs dos EUA. Para não perder esse voo, é fundamental que a produção, e não apenas o consumo de SAFs, seja estimulada no programa Combustível do Futuro do Ministério de Minas e Energia.

O setor de biocombustíveis no Brasil tem uma oportunidade única para crescer, descarbonizando uma importante indústria, agregando valor a seus principais produtos agrícolas – soja, cana-de-açúcar e milho, gerando empregos de qualidade. Vamos em frente.

Jacyr Costa Filho é presidente do Cosag – Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e sócio da Consultoria Agroadvice.

 

 

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