CMAA planeja safra 2026 em cenário mais crítico

Em um cenário de safra desafiadora para a cana-de-açúcar, quem investiu em eficiência, integração de processos e diversificação energética conseguiu reduzir riscos e preservar competitividade. A CMAA (Companhia Mineira de Açúcar e Álcool) é um dos exemplos citados nesse contexto. 

Durante participação no programa JornalCana 360, o diretor industrial da companhia, Alisson Colonhezi, falou sobre os aprendizados da última safra, o desempenho industrial do grupo e como essas experiências estão moldando a estratégia para 2026.

Safra 2025: ano duro, gestão técnica afiada

Colonhezi classificou 2025 como uma safra típica em termos de pressão operacional — mas fora da curva em nível de desafio. O clima afetou fortemente a região de Minas Gerais, impactando produtividade agrícola e previsibilidade industrial. 

Mesmo assim, a CMAA conseguiu manter indicadores considerados essenciais sob controle. 

“A gente tem um conceito interno que é fazer o ‘arroz com feijão’ bem feito. Em ano difícil, é isso que segura a operação”, resumiu.

Principais pontos de desempenho destacados: 

  • Disponibilidade industrial dentro da meta 
  • Eficiência operacional mantida 
  • Disponibilidade agrícola sustentada apesar do clima 
  • Aproveitamento industrial preservado ao longo da safra

Diante da queda no volume de cana, a companhia tomou uma decisão estratégica: alongar a safra e puxar mais açúcar, aproveitando um momento de melhor precificação no mercado.

Ao mesmo tempo, houve ajuste de custos e revisão de despesas — o famoso “apertar o cinto” — para atravessar o período de pressão econômica.

2026 já nasce sob alerta

Se 2025 surpreendeu pela mudança repentina de cenário, 2026 começa com um diagnóstico claro: preços pressionados e juros elevados. 

Segundo Colonhezi, o planejamento da próxima safra já está sendo construído em um cenário mais crítico, o que permite decisões antecipadas. 

“2025 mudou no meio do caminho. Já 2026 está sendo orçado dentro de um cenário difícil desde o início. Isso muda a postura da companhia.”

A estratégia passa por: 

  • Fazer mais com menos 
  • Manter disciplina operacional 
  • Priorizar eficiência industrial 
  • Trabalhar com flexibilidade de mix

A CMAA já tem parte da produção de açúcar fixada em contratos e manterá produção elevada em algumas unidades. O restante do mix entre açúcar e etanol será ajustado conforme as paridades de mercado a partir do meio do ano.

Usinas Flex despontam como alternativas  

Um dos pontos fortes da entrevista foi a visão de Colonhezi sobre o etanol de milho integrado às usinas de cana, tema cada vez mais presente na bioenergia. 

Autor de um livro sobre o tema, ele participou da implantação de uma das primeira planta flex do país e defende que a integração é uma resposta direta ao cenário de juros altos e necessidade de retorno mais rápido.

Dois grandes benefícios do milho na usina de cana:

  • Retorno mais rápido sobre o investimento Projetos de expansão canavieira exigem anos de formação de lavoura antes de gerar receita relevante. Já o milho permite iniciar produção plena logo após a conclusão da planta industrial.
  • Uso da biomassa já disponível A usina de cana já possui bagaço para geração de vapor nas caldeiras, reduzindo a necessidade de investir em outras fontes energéticas, como florestas dedicadas.


“A cana já tem a biomassa ali, pronta. Isso muda completamente a equação quando se compara com um projeto greenfield”, explicou.

Além disso, o modelo permite:

  • Produção de etanol durante todo o ano
  • Uso do mesmo quadro de pessoas em modelos flex sazonais
  • Melhor diluição de custos fixos industriais

Para o diretor, paradigmas antigos sobre custo do milho e viabilidade estão sendo quebrados na prática.

Livro técnico será lançado no BioMilho Brasil 2026

Colonhezi prepara o lançamento de um livro sobre o tema, durante o BioMilho Brasil 2026, no dia 26 de fevereiro. A obra, escrita com Isaac Pinho, tem foco operacional.

Segundo ele, o material funciona como um “consultor em formato de livro”, voltado a profissionais que já operam ou querem entender a fundo o processo de produção de etanol de milho.

O conteúdo aborda:

  • Operação de plantas
  • Modelos de negócio
  • Estratégias de expansão
  • Solução de problemas de processo
  • Eficiência como eixo central da competitividade
Joacir Gonçalves

Repórter

Jornalista profissional com mais de 35 anos de experiência

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