
Agora é oficial: este é meu último ano como deputado federal. E a pergunta vem naturalmente: o que vem depois disso?
Eu sempre fui político e continuarei sendo, mas não pelo cargo – e sim pela mentalidade. Política, para mim, sempre foi a arte de organizar soluções coletivas.
Essa forma de enxergar o mundo não se aposenta com o mandato.
Foram mais de 40 anos de vida pública lidando com temas que hoje estão na pauta de qualquer conselho de administração: energia, infraestrutura, agro, mercado de capitais, sustentabilidade, inovação regulatória.
Na prática, isso se traduziu em experiências muito concretas:
● relatoria da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que mudou a forma de tratar lixo, reciclagem e responsabilidade de empresas e governos;
● Lei do CombustíveldoFuturo e marco do Hidrogênio de Baixa Emissão, que reposicionam o Brasil na transição energética;
● Lei dos FIAGROs, conectando a poupança de milhões de brasileiros ao financiamento do agro,
● e, agora, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que pode definir o lugar do país na nova economia verde e digital.
Em todas essas agendas, o desafio foi o mesmo: ouvir setores com interesses distintos, entender as dores de quem produz, construir convergências e transformar tudo isso em política pública séria, previsível e exequível.
É exatamente essa combinação que pretendo levar com mais intensidade para o mundo empresarial no próximo ciclo: um “legislador-conselheiro” que conhece por dentro o processo político, sabe ler cenário, separa ruído de sinal e ajuda empresas, cooperativas, investidores e organizações a tomarem decisões melhores em ambientes regulatórios complexos.
Isso pode significar, por exemplo: explicar para um conselho o impacto real de um novo marco legal, ajudar a qualificar o diálogo com governo e reguladores, apontar riscos institucionais que não aparecem na planilha e identificar oportunidades em agendas como energia, crédito verde, infraestrutura, agro e minerais críticos.
Se o mandato está chegando ao fim, a missão de construir pontes está só mudando de lugar.
Por isso, quero ouvir você que lidera negócios, conselhos, cooperativas ou startups: em que temas regulatórios e/ou institucionais você sente hoje mais insegurança – e que tipo de ponte entre política e mundo corporativo faria diferença na sua tomada de decisão para os próximos anos?