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3 fatores ruins e 2 otimistas para a safra 17/18, segundo diretor da Unica

Padua, diretor técnico da Unica: projeções para a safra 17/18 (Foto: Alessandro Reis)

A safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do país deverá ser encerrada com moagem entre 605 e 630 milhões de toneladas. Quem afirma é Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em entrevista exclusiva para o JornalCana.

Padua conversou com a equipe do JornalCana no sábado (11/03), durante evento de inauguração de armazém de açúcar VHP da Unidade Tanabi da Tereos Açúcar & Etanol Brasil (antiga Guarani).

Na entrevista a seguir, Padua revela em primeira mão suas projeções para a safra 2017/18 no Centro-Sul. Confira:

Como deve terminar a moagem da safra 16/17 no Centro-Sul?

Antonio de Padua Rodrigues – Nossa expectativa de moagem está dentro da projeção inicial [da Unica, feita em abril de 2016], com intervalo entre 605 milhões a 635 milhões de toneladas. Deveremos ficar no limite inferior. Acredito que ficaremos em 605 milhões de toneladas.

Essa moagem deverá se repetir na safra 17/18?

Padua – Ainda é precipitado projetar a moagem da 17/18 no Centro-Sul. Isso porque há alguns fatores indicativos de que a safra será menor.

Quais são esses fatores?

Padua

1: deverá haver redução na área de colheita de cana. Isso porque há grande plantio de cana de ano e meio, programado entre dezembro de 2016 a este mês de março. Isso leva a uma redução na colheita.

2: o segundo ponto que leva à uma redução é o canavial mais velho.

3: é você não ter contingente de cana bisada registrado na virada da safra 15/16 para a 16/17

Esses três indicativos jogam a safra para baixo.

Que fatores podem jogar a moagem da safra para cima?

Padua

1: temos uma condição climática favorável até o presente momento [11/03]. Não sabemos ainda como irá março. A primeira quinzena do mês foi chuvosa e a segunda me parece que será seca, mais favorável à colheita da cana. Isso melhora, compensa as perdas com o envelhecimento do canavial.

2: outro ponto, que elevará um pouco a produtividade agrícola, é o contingente de área colhida na safra passada de cana afetada pela geada. Em muitas dessas áreas a colheita foi feita antes de completar doze meses, com baixa produtividade. Isso ajudou a impactar a safra 16/17. Mas agora na safra nova a cana será colhida com o prazo completo de doze meses. Isso leva a produtividade para cima.

Qual o resultado desses fatores na safra 17/18?

Padua – Pode ser que a safra 17/18 no Centro-Sul fique no mesmo tamanho da 16/17, de 605 milhões de toneladas. Mas ainda é muito cedo para afirmar. Só terei a área de colheita no fim de março, com a imagem de satélite de toda a área disponível para colheita na região Centro-Sul. Não dá, assim, para afirmar números. Dá para afirmar fatores que podem jogar a produtividade e a oferta de cana para cima e para baixo.

A Unica informa que 35 unidades produtoras moem neste mês de março na região Centro-Sul. Outras unidades moem desde fevereiro. Essa cana em moagem é da safra 16/17 ou da 17/18?

Padua – Oficialmente, segundo o governo federal, toda cana moída entre 01 de abril de 2016 a 31 de março de 2017 é da safra 16/17. Não há problema se a unidade parou, começou em fevereiro ou em março. A cana a ser processada a partir de 01/04 próximo a até 31/03 de 2018 será da safra 17/18.

Qual sua opinião sobre o mercado de açúcar e de etanol para este ano e 2018? Sabemos que em 2017 o mercado de açúcar está favorecido. Para 2018 temos essa garantia?

Padua – Sim, para 2018 também temos garantia de preços bons, remuneradores para o açúcar. Muito do volume a ser produzido na safra 17/18 já foi negociado, está garantido com venda em bolsas. Em 2016 tivemos picos de preços, acima de 21 cents de dólares por libra-peso. Mas isso é no mercado spot. E o volume de açúcar vendido nesse preço foi pouco. O grande volume foi vendido no começo da 16/17 por 17 cents de dólares por libra-peso. Então, a não ser que haja uma mudança significativa no câmbio, o preço do açúcar tende a ficar no mesmo patamar da safra passada.

E o mercado de etanol?

Padua – O mercado de etanol tem, primeiro, de conviver com os preços da gasolina no mercado internacional, conforme a política de preços adotada pela Petrobras. Isso é uma realidade. Durante nossa safra ocorre o verão no exterior, com tendência de aumento de preços do combustível, devido ao aumento do consumo de gasolina.

Explique mais, por favor

Padua – Com a tendência de aumento de preços da gasolina lá fora, e como a Petrobras tem a política de empregar os preços externos haverá reajuste da gasolina aqui dentro. E os reajustes da gasolina irão aumentar a competitividade do hidratado.

Então a safra 17/18 será positiva?

Padua – É uma safra que tendo igual ou menor contingente de cana na comparação com a 16/17, haverá aumento de cristalização de açúcar, com a expansão de produção. Se houve expansão na fábrica de açúcar, e haver incremento no consumo de combustíveis de ciclo otto, onde será preciso produzir um pouco mais de anidro, a expectativa é que isso reduzirá a oferta de hidratado. Com menos hidratado, há a tendência de o preço dele, na bomba de combustível, manter-se muito próximo da paridade técnica de 70% do preço da gasolina.

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