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2003 foi o ano da Bolsa de Valores

Valeu a pena correr risco e ter sangue-frio para suportar a flutuação do mercado de ações. Em 2003, a Bolsa de Valores de São Paulo tornou-se a aplicação financeira de maior rentabilidade: acumulou alta de exatos 97,3% no ano, quase o dobro de 2002. No ano passado, a Bolsa, além da forte rentabilidade, conseguiu pôr fim a um ciclo de baixa dos últimos exercícios anteriores (em 2002, encerrou em queda de 17.01% e, em 2001, acumulou perda de 11,02%), liderando o ranking das aplicações desde 99. O dólar seguiu em direção contrária e surpreendeu o mercado ao fechar o ano com uma rentabilidade acumulada negativa de 18,22%.

A moeda americana sentiu não só os efeitos do avanço do superávit comercial (em vez de US$ 15 bilhões projetados inicialmente, chegou quase a US$ 25 bilhões), mas também o ritmo mais acelerado das captações externas maiores a partir da redução do risco-país.

As aplicações de renda fixa mantiveram um bom desempenho, fechando com um ganho médio anual de 23,5%, algo abaixo das projeções feitas no início do ano, o que tem a ver com a queda mais acelerada da taxa Selic a partir de julho, mas ainda confortável. O ouro, outro ativo de risco, fechou o ano quase estável, situando na faixa de R$ 38,20 o grama na última semana antes da virada do ano. Sua cotação, no mercado doméstico, não acompanhou mais firmemente o avanço da commodity no plano internacional justamente pela queda do dólar no País.

Os fundos seguiram a rentabilidade de seus benchmarks. Os atrelados ao mercado de ações lideraram, chegando a ter uma valorização de 73,88, no caso dos atrelados ao Ibovespa ativo. Contudo, o melhor resultado coube aos fundos de ações que acompanham o IEE, índice das companhias elétricas. No ano, a valorização foi de 105,95%.

No caso dos fundos que seguem o dólar, seu desempenho acompanhou a desvalorização, registrando uma rentabilidade negativa de 4,23%, até o dia 26.

Os fundos ligados à variação dos juros acumularam ganhos de pouco mais de 23% no ano. Os de DI valorizaram-se 23,27% e os de renda fixa, 23,85%.

Para o diretor de Tesouraria do Banco Brascan, Luiz Fernando Romano, a firme reação da Bolsa foi um reconhecimento do mercado à boa administração adotada pelo Governo Lula. ‘A certa altura, o mercado reconheceu que havia precificado erradamente o Governo Lula e que seu pessimismo inicial era exacerbado’, explicou ele, ao destacar a aprovação das reformas da Previdência e a Tributária como outro fator em favor da melhora do humor do mercado.

Dois outros fatores decisivos para o salto da Bovespa foram a reação das bolsas mundiais, especialmente nos países emergentes, e a queda gradual da taxa Selic a partir de julho, o que contribuiu para que a Bolsa iniciasse uma firme reação, especialmente porque boa parte dos papéis ainda estava com preços muito atraentes.

Para os mais conservadores que seguem com suas economias na caderneta de poupança, a rentabilidade no ano ficou em 11,1%. Apesar de baixo, o retorno da poupança ficou acima da inflação em 2003. O IGP-M ficou em 8,71% no ano. ‘Com a expectativa de que os juros reais vão seguir em baixa no próximo ano, esperamos que recursos migrem das aplicações de renda fixa para o mercado acionário. Quem desejar um retorno adicional, vai ter de correr mais riscos’, afirma Noriko Yokota, gestora de renda variável do Sudameris/ABN Amro Asset Management.

Apesar dos ganhos elevados da Bolsa, os fundos de ações perderam recursos. Levantamento da Anbid mostra que os fundos de ações tiveram captação líquida -diferença entre os resgates e as aplicações- negativa de cerca de R$ 1,4 bilhão no ano. Com a alta do euro diante do dólar, algumas pessoas começaram a apostar na moeda européia como investimento. Diante do real, o euro oscilou pouco.

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